História com Libras na Orla do Madeira é um projeto de extensão envolvido pelo Mestrado Acadêmico em História e Estudos Culturais (MHEC) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Projeto Café com Libras e Grupo de Pesquisa Filologia e Modernidades. A escolha da atividade surgiu da necessidade de revisar os conhecimentos colocados em prática sobre as teorias vivenciadas em sala de aula agregando conhecimentos em língua brasileira de sinais-Libras, com a temática  história de Porto Velho e dos seus principais pontos históricos e turísticos.

A aula barco realizada na manhã do domingo, 05/11, em uma embarcação que transitou às margens do Rio Madeira, foi ministrada pelo professor historiador Dr. Marco Teixeira que abordou, dentre outros, sobre os pontos históricos da capital do estado de Rondônia, Porto Velho.

“Mais recentemente, nós podemos dizer que o Madeira explica os últimos cem anos da nossa história com muita propriedade. Em função do Rio Madeira foi construída a Estada de Ferro Madeira Mamoré para superar o obstáculo das cachoeiras para poder fazer o transporte seguro de cargas, pessoas e mercadorias desde a Bolívia até o Oceano Atlântico. A Madeira Mamoré com seu 366km em definitivos superava os obstáculos das cachoeiras. Vale lembrar que no século XVIII quando havia uma navegação bem estabelecia entre Belém e Mato Grosso faziam-se viagens regulares chamadas monções, de Vila Bela até Belém do Pará, ida e volta. Essas monções traziam de Belém produtos ricos em valor comercial como o sal, tecidos, velas, pratarias, objetos de uso domésticos e escravos. Mas levavam daqui do Vale do Madeira, do Mamoré e do Guaporé as famosas drogas do sertão e ouro. As viagens em média duravam dois anos entre ida e retorno. Um grande obstáculo eram as cacheiras. Cachoeiras maiores como Teotônio e Caldeirão do Inferno chegavam a levar dois meses transportas. Cachoeiras memores como era o caso de Santo Antônio eram transportas através de cirgamentos: parava-se em uma pedra, puxava-se a embarcação, o batelão com cordas até chegar em uma outra pedra e assim seguiam, uma passagem demoradíssima e muito arriscada. Mas no caso de Teotônio, Cadeirão do Inferno, Jirau ou outras cachoeiras muito grandes tinham-se que desembarcar tudo, puxar o batelão que pesava algumas toneladas barranco assim, linha reta e barranco abaixo, depois recalafetar, repregar e recarregar a embarcação. Isso feito vinte e duas vezes ao longo do trajeto. Então era uma viagem muito difícil, por conta disso a Madeira Mamoré foi planejada a partir da metade do século XIX e finalmente foi executada no inicio do século XX. A história do Rio Madeira é a história de Porto Velho nesse ponto. Em 1905, 1907 nós temos a licitação e a construção da Madeira Mamoré. Cem anos depois, 2007, a história continuava na beira do Madeira, dessa vez com as hidrelétricas. São cem anos que o Rio ofereceu empreendimentos, riqueza, prosperidade à todas as pessoas que viveram na sua margem”,  destaca na aula barco o professor historiador Dr. Marco Teixeira.

Na oportunidade, Teixeira também comentou para o público presente sobre o processo de colonização na região; a situação de embarramento nas águas do Rio Madeira que causam graves e irreparáveis problemas ambientais e sociais à toda comunidade ribeirinha e população do bairro Triângulo.

“Ao longo do século XX, o Rio Madeira produziu riquezas abundantes  até que no século XXI ele produz a mais importante de suas riquezas que é a geração de energia elétrica, com ela também trazendo como sempre houve problemas ambientais e sociais. A riqueza do Rio não é tratada com respeito que deveríamos pensar.  O embarramento do Rio trouxe problemas gravíssimos para as sociedades ribeirinhas. A gente vê uma grande agressão ambiental só de olhar para as margens do que foi feito com elas, um ataque claro ao bioma ribeirinho, a limitação da migração dos grandes peixes que vai ao longo do tempo alterar a dieta e modo de vida das populações que vivem da pesca, alteração profunda agricultura de várzea”, destaca o professor historiador.

Alunos surdos estiveram presentes na aula barco e puderam acompanhar a atividade histórica por meio da professora bilíngue Neide Nascimento, mestranda do MHEC. Na importante atividade também estiverem presentes os pesquisadores e professores surdos do curso de pós-graduação em Libras e Educação de Surdos da Faculdade UNIRON Arine Holanda e Uilian Dias.

Sobre o evento, a  Coordenadora  da aula barco “História com Libras” Neide Alexandre do Nascimento, destaca que a atividade superou suas expectativas. “O evento foi mais do que nós esperávamos. O público pediu que já tivesse uma segunda edição. No dia 26 de novembro, o evento  vai se estender a uma passeata pelos pontos históricos, em seguida vamos de ônibus até a Vila do Santo Antônio e encerrando o passeio em uma aula barco com o professor Marco Teixeira e os alunos surdos”, comenta a coordenadora.

A responsável pelo evento  ainda destaca sobre a importância dos profissionais que buscam a acessibilidade em LIBRAS, pois acredita que os surdos são invisíveis na sociedade. “As pessoas só sabem quem é surdo quando tem esse contato próximo com eles, e onde quer que o surdo vá ele precisa ter essa acessibilidade linguística que se faz através da Língua de Sinais. Muitos profissionais estão vendo a questão da acessibilidade e estão buscando conhecimento na Língua Brasileira de Sinais. Hoje o mercado de trabalho está muito aquecido nessa área porque a Lei 10. 436, que oficializa a LIBRAS como a segunda língua oficial do Brasil e o Decreto 5. 626 que  coloca a LIBRAS como disciplina obrigatória em cursos de licenciatura, formação de professores e fonoaudiologia para que essas pessoas venham prestar um serviço de qualidade e acessibilidade para a comunidade surda”, salienta Nascimento.

Produção e edição:  Joely C. Santiago & Nurian Lavareda